Falling, floating, fucking up.

There's something deeply wrong with him.

I've known him for ten years now. We're the same age, but at the time I wasn't really interested in the things people my age talked about and he wasn't either, so it was easy for him to work his way into my life.

He would show up only once or twice a week, and he wouldn't stay for long most of the times. We didn't even talk that much, it was just being in the company of one another. He always had something exciting and interesting to tell me, but after ten minutes into his monologue he would stop and just be there.

I don't know why but I don't quite like him, I mean... he's interesting. And I like that he's everything I would like to be. But if I had a choice I'd make him go away.

As we grew up he started showing up more often, and the conversations grew longer as well, I started interacting more, and talking to him about my life, things that happened during the day. He's a good listener, but at the same time he isn't... it's his way of helping I guess, he interrupts me when I'm talking and just changes the subject abruptly. At first I didn't get it but now I think he doesn't want me to get upset. So he probably just thinks he made the problem go away by replacing it with something else. 

It helps. 

Actually, it only helps while he's still talking, problems are persistent that way, go figure.

Before I met him I was less... How can I put it? I was less conflicted. My mind just worked a lot better before, life was easier and I lived in this bubble, this little protected box that made me... sane?

After a year or so of listening to him questions just kept being born, and ultimately that little box wasn't big enough and it popped open. I can't really put a date to it, It was gradual but at the same time it was sudden enough to mess me up in this very shitty way.

He's not at fault here, he's just the tool that helps me become myself. But at the same time I blame him for making me realize that the box was too small for me. I blame him for making me realize boxes are not made for people.

I hate him ninety eight percent of the time, but that two percent is enough for me to keep him around. I don't actually have a choice... he's now this huge part of who I am, maybe I can't even be a person anymore without him there.

He's vicious though, he's angry all the time. I can see it in his eyes, these dark brown eyes... the kind that if you're not careful enough, make you jump into the darkness never to be seen again.

Ok, he's not angry all the time. I mean... he can not be angry if he want's to.

He's never wrong,  always tells the truth, and points out things that I hate about myself, sometimes I ignore him, sometimes I just zone out of the conversation and just tune back in when he's gone... Sometimes he wins though. Lately he wins more and more.

But he has this way of showing me what I love about myself as well. Madness! Pure distilled madness.

I think our relationship would be a lot easier if I could just introduce him to people... but I can't. People won't be able to bare him, or even worse... they will. I don't know how to react to both options. Once I do introduce him, there's no un-introducing, and even if I manage to hide him again, or just pretend he's never there... nothing will be the same.

But after ten years nothing is the same anymore... Is it?

Maybe I've known him for longer...

You see? He's troubled.

Caroline

Caroline era daquelas que gostava de tudo, ria de tudo, comia de tudo e não reclamava de nada. Conheci-a quando estava sentado num banco esquisito da praça que visitava sempre, o pior dos bancos porque o sol o alcançava na hora do almoço e eu precisava sentar numa posição desconfortável para me esconder dele.

Caroline chegou, sentou no sol mesmo, tirou uma caixinha transparente da bolsa e me ofereceu um dos brigadeiros que carregava nela. "Estão meio amassados mais são deliciosos", ela disse com um sorriso infinitamente mais convidativo que a aparência das guloseimas.

Aceitei com um aceno de cabeça,e na primeira mordida a olhei com um olhar que expressava plenamente o sabor da bolinha deformada, ela concordou com um olhar e um sorriso, e mordeu um outro que tirara da caixinha para compartilhar comigo a experiência.

O dia estava uma merda, estava preocupado, cansado, irritado, frustrado. Caroline olhou para a praça ensolarada, deu a segunda e última mordida em seu brigadeiro e disse, ainda mastigando: "Que dia lindo, não é?", em seguida, olhou para mim pelo canto do olho, aguardando minha aprovação.

Acenei novamente com a cabeça.

Em que mundo vivia Caroline?

Ela permaneceu sentada no mesmo lugar por mais quinze minutos, dividindo comigo seus brigadeiros e suas observações sobre como a praça estava ficando cada vez melhor com as ultimas mudanças e como o som da brisa nas árvores parecia formar a trilha sonora perfeita para sentar lá e admirar o dia passando.

Seu almoço terminou, ela guardou a caixinha vazia de brigadeiros na bolsa e levantou num salto. Se aproximou de mim e me deu um beijo na bochecha: "Muito bom falar com você!", um largo sorriso surgiu e ela seguiu com ele pela rua estreita de pedras, em câmera lenta... pelo que pude observar.

Quem matou Caroline?

Garranchos Indecifráveis

Comprei um journal, não vou chamar de diário porque associo a palavra a algo infantil e também porque a ideia não é escrever todos os dias então o termo perde o sentido.

Fiquei décadas para começar a escrever no tal do journal, primeiramente porque eu coloquei uma série de empecilhos que me impediam de iniciar a tarefa rapidamente. Uns requisitos bestas que não fazem sentido para ninguém além de mim mesmo: o caderno tinha que ser tipo moleskine, pautado ou pontilhado mas as folhas não poderiam ser brancas. A caneta tinha que ser tinteiro porque... porque não? A tinta da caneta tinha que ser preta porque escrever em azul me lembra escola/trabalho e eu queria que o ato de escrever fosse prazeroso, da mesma forma que é aqui.

Já escrevi algumas vezes, não com a frequência que eu gostaria, assumo... e o fato de ter me acostumado a escrever em meio digital, onde apagar e rearranjar frases é fácil, me atrapalha. O resultado são textos que fazem sentido absoluto antes de existirem fisicamente e, no tempo em que a tinta leva para fluir do reservatório para a ponta da caneta e desta para o papel, se transformam num amontoado de frases desconexas e incoerentes.

Não sei escrever. É a conclusão obvia da minha mente afobada, e faz sentido... tenho que reaprender a escrever nesse novo meio. Na verdade, tenho que aprender a escrever... porque com exceção do trabalho e da escola, nunca escrevi com tinta e papel.

E escrever em papel não é fácil, requer um esforço maior que aparentemente me impede de formar frases coerentes rapidamente como acontece num computador. No papel, a "fonte" demanda atenção: não adianta escrever em garranchos indecifráveis. A mudança de linha não é automática e exige uma série de decisões: separar ou não as sílabas? essa palavra cabe ou não cabe?

Coisas simples também são impossíveis no papel. Um parágrafo que se divide em dois facilmente num editor de textos não tem a mesma mobilidade e capacidade de transformação numa folha. Assim como meu hábito de capitular o não capitulável, que é mero inconveniente num texto formado por pixels, e no papel é um monstro que exige patrulha constante.

E tem o erro, o erro não existe no digital. Já no físico.

Fora a sinceridade, depois de anos aprendendo a ser sincero no digital, me sinto acanhado no papel. O caráter mais permanente do papel e o fato dele estar lá, disponível na gaveta física do meu quarto, escrito com a minha letra, expondo os meus erros, assusta.

Estranho esse papel.

Na última noite...

Ele a viu feliz pela primeira vez em meses, depois de uma longa batalha os dois estavam finalmente bem, feridos mas bem. E ele se permitiu entrar no lugar com um sorriso que pudesse encontrar o dela.

Do outro lado do salão ela conversava de taça na mão com homens mais sérios que ele. Com um sorriso e um leve aceno, pediu que lhes dessem licença, o havia visto... e atravessou o lugar num passo leve, mantendo sorriso e olhar fixos nele.

Alguns segundos estranhos passaram enquanto um carregava o olhar do outro através do salão. Ela parou pouco antes de alcançá-lo... ele a parabenizou, mesmo de longe. Em troca, ela olhou através dele e não ouviu nada, se aproximou radiante, tomada por uma alegria imensa, e o abraçou da mais sincera forma.

"Obrigada por vir" - Ela sussurrou em seu ouvido.

Os olhos dele brilharam em preparação para um aguaceiro. Manteve a compostura, por ela. O abraço teve fim um milênio depois, o mundo voltou a girar e ela não disse mais nada, foi puxada por uma senhora distinta e engolida por seus respeitosos convidados.

Ele se manteve no canto. Vez ou outra levantava a taça em direção a ela e lembrava de sorrir. Ela sempre retribuía o gesto com um olhar de aprovação, um sorriso ou aceno discreto... até que o perdeu de vista.

Ele voltou pra casa, ela também.

Comosenem

Naquele dia ele estava lá, e se eu soubesse não teria aparecido.

Não é que eu não saiba que você divide comigo o que divide com ele, não é segredo. Você não esconde, aparece cheirando a ele como se não percebesse... como se o ciúme despertado te trouxesse prazer maior.

No começo era excitante saber que tu chegava em casa e tinha que mentir, saber que talvez ele notasse a marca dos meus dedos na tua coxa, ou o cheiro do meu suor nos teus cabelos. Chegava a ser engraçado o fato de que eu cruzava com ele na rua e ele me dizia "oi" como se nem. Como se nem odiasse o fato de ter que dividir.

Aí o tempo foi passando e eu parei de imaginar a tua desculpa para o vestido amassado, parei de tentar buscar nos teus olhos o motivo do arranjo, parei de procurar o sentimento que não ia achar... passei a fingir que eu era ele, que era eu que andava de mãos dadas contigo na praça, que era eu que ria contigo na livraria.

Mas não era, eu ficava com as sobras... com os dias que ele não estava lá, com as noites em que ele não notaria sua ausência.

Naquele dia ele estava lá, e se eu soubesse teria aparecido antes.

Percebi que ele era parecido comigo, que te olhava com o mesmo olhar, com aquele olhar de incerteza, de desconfiança. Aquele olhar de quem sabe e não quer dizer.

Mas os três sabiam. Então entrei, sentei, liguei a TV e chamei pra ver comigo.

Chamei ele pra ver comigo.

E ele sentou, e nos conversamos, rimos, nos demos bem.

E você diminui num sofá distante, como se nem. Como se nem odiasse o fato de ter que dividir.