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Ancient Light

We were in the middle of an empty room, he had convinced me to follow him after a couple of drinks, I was feeling fine, giggly but fine. I am standing, he is too. He tells me to close my eyes, I do as he says right after giving him an inquisitive look and receiving a "go on" as a reply. My eyes are completely closed, I can only hear him walking around me in circles... I am curious to what's going to happen. After completing another circle he takes off his shoes, I can hear them hitting the hard floor as he tosses them across the room, the sound makes me jump, and my heart races. I can't hear his feet, but I can feel him walking around me once again, that impression is confirmed when he starts to speak and I can pinpoint his location in the room again. - I need you to take a deep breath - He says - Imagine you are walking down an empty avenue... there are no cars, no people around... you can hear nothing but the sound of a gentle breeze. And he conti...

Libero tari libera nos

Abaixo todos os homens gritavam, batiam panelas e seguravam cartazes pedindo liberdade, centenas deles se aglomeravam nas ruas e eram sumariamente ignorados pelos homens de cinza no topo das árvores de concreto. Cercado de grossas folhas de vidro, é certo que os homens de dentro não podiam ouvir os de fora. Não havia frestas, mas eles seguiam a vida como se sequer enxergassem os homens de fora, Mas a estrutura das árvores de concreto fora projetada por homens e no encontro de duas das folhas havia espaço suficiente para uma semente, e lá uma semente se instalou e por algum motivo germinou. Germinou e cresceu, e a pressão entre as duas folhas cresceu junto até que ambas as folhas trincaram, e pesadas como eram estilhaçaram e foram abaixo logo em seguida. Cacos de vidro afiados choveram em direção ao povo de baixo, que correu desesperado por abrigo. Segundos depois a chuva mortal cessou e consigo cessou a gritaria dos homens de baixo, que fitavam maravilhados a destruição... ac...

Sozinho

Acho que talvez tudo que eu precisava era sair, sair dessa caixinha em que eu mesmo me coloquei e fechei tão bem fechado e perdi a chave. Mas eu queria sair, queria mesmo, pela primeira vez na infinidade dessa vida eu tive a coragem de sair da caixinha e pisar nesse chão frio do mundo real. Você estava lá, e isso era tudo que eu precisava, precisava de uma mão pra me guiar enquanto a luz de fora ainda me ofuscava o olhar. Alguém pra dizer "cuidado pra não tropeçar", alguém pra perceber que eu tenho medo do novo e que eu preciso ouvir um "I got you, don't worry." Você estava lá, achou a chave, colocou ela na fechadura da caixinha, me disse tudo que eu queria ouvir mas também me disse que eu não estava pronto pra sair... porque o chão era mais frio do que eu esperava, porque o sol era mais intenso do que eu jamais podia imaginar. Mas eu queria... eu precisava sair. Eu queria sofrer um tiquinho essa dor que você sofre todo dia, eu queria dividir, queria d...

Paul e mais um fim

Eu estava lá, parado de frente aquela árvore misteriosa, as árvores pareciam ser parte da nossa relação. Esta tinha um tronco branco e curto... a árvore inteira devia ter de três a quatro metros de altura. Fiquei lá por um tempo, tentando entender como flores gigantescas, de um rosa vivo, pendiam dos galhos daquela obra de arte. A brisa parecia não tocá-la, era como se o tempo deixasse de existir onde quer que sua sombra alcançasse. Ouvi o som dos passos de Paul, pisoteando as folhas das árvores menos majestosas e igualmente importantes que cercavam aquele jardim. - Nós precisamos conversar - Disse ele. Suspirei ao mesmo tempo em que um calafrio confirmava sensorialmente a tragédia anunciada. - Você não quer mais continuar me vendo - Eu afirmei. Uma das flores se desprendeu de um dos galhos mais altos da árvore, pintando de rosa o gramado verde logo abaixo, respirei fundo para conter as lágrimas, não podia parecer fraco porque precisava de força para o que viria a se...

Paul e as lágrimas lunares

Paul chegou tarde, seu rosto transparecia uma tristeza que eu já tinha visto antes, mas não queria ver nunca mais. Todos nós temos o direito de nos sentirmos mal vez ou outra, mas eu não queria que o mundo lhe forçasse a exercer este direito. Essa dor que vem dum lugar profundo e não me deixa respirar, a dor de não poder fazer nada, de abraçar forte, fechar os olhos e torcer pro sentimento atravessar o peito de um e invadir o do outro. Só queria absorvê-lo todo, mas não posso... e não seria justo poder. Paul desapareceu. E desaparecido ficou... porque o que sente talvez seja dele e ele não quer dividir. Mas essa dor, essa dor de querer que fosse meu também. Sou egoísta por querer sofrer o sofrimento do outro? Por querer ver o sorriso, e só querer ver a lágrima se for acompanhada de um sorriso? Mas... mas o sorriso dele é a coisa mais linda. O mundo não merece as lágrimas de Paul. E eu não mereço tirá-las dele. Paul vai voltar, assim como a Lua míngua, a tristeza d...

Paul e o Farol Vermelho

O calor reinava, imponente e impiedoso me queimava a pele através do pára-brisa do carro, o chiado incessante do rádio era mascarado porcamente pelo ar condicionado ligado, que trabalhava muito mas não conseguia diminuir nem um grau do ar quente que dominava. Vermelho como o sol estava o farol, a fileira de carros crescia atrás do meu, ao mesmo tempo que crescia a ansiedade pelo verde, pela liberdade de ir... minutos se comparavam às mais longas eras. O chiado do rádio me incomodava cada vez mais, assim como as gotículas de suor que se formavam na minha testa. Neste ponto o ar condicionado havia desistido do trabalho árduo, e as janelas laterais se abriram para fazer entrar a brisa inexistente. Olhei para a esquerda na esperança de fazer o tempo passar mais rápido, e lá estava. Andando como se nada... vestido de preto da cabeça aos pés, porque all black estava na moda. O calor parecia não incomodá-lo como me incomodava, talvez os óculos escuros fossem o segredo, talvez a mente. M...

Mkay?

Lembra quando eu disse que daria tudo certo? Quando a briga se transformou num beijo e seu ódio se transformou em juras de amor e eu te olhei, e te vi de verdade ali, descrito em atitudes, mas te disse que tudo estava bem. Lembra quando eu disse que eu perdoava mas não esquecia? Quando o insulto se tornou elogio eu te acolhi, te abracei e te disse que a gente estava bem, que tudo daria certo, mas você não se perdoou e o fato de eu não esquecer criou gotas de um veneno que você mesmo se oferecia diariamente. Lembra quando eu disse que você não era uma pessoa ruim? Que toda a raiva derivava de um desconhecimento seu, que tudo melhoraria com o tempo e que a gente ia superar, que tudo daria certo, que tudo estaria bem. Quando comecei a achar que tudo daria errado? Lembra?

Vintetrês

Essa segurança, essa certeza,  são partes do que sempre admirei em você. Eu não me sinto seguro, não tenho certezas. Eu acho, eu imagino, eu espero, e é nesse constante loop de achar, esperar e imaginar que eu permaneço sem me encontrar. A vida passa e sinceramente, eu me perco cada vez mais. Não é como se eu não soubesse concertar o que há de errado, talvez eu saiba e eu tenho uma certa vontade até, de corrigir o problema em mim e de talvez ser um pouco mais... certo. Eu sempre achei que apesar de tudo que nós compartilhamos, tudo o que nos fazia tão perfeitos e que nos transformava num barquinho tranquilo em meio a um oceano de caos, havia uma grande diferença entre nós. E talvez eu tivesse medo de trazer isso a tona, ou melhor, eu escolhia não fazê-lo porque nos meus vinte e três anos de existência eu me tornei mestre em me esconder de mim mesmo. Eu te amei porque você era incrível ao ponto de me fazer melhor, porque amar uma escritora, que sabia me ler tão profundamente...

Poder de se perder

O dia foi ótimo, estar tão longe de casa trazia para ele uma segurança tremenda. Coisa estranha de se pensar, mas não deixava de ser verdade. O frio tinha cessado pelo primeiro dia desde que tinha chegado, resolveu sair do quarto e aproveitar as últimas horas naquele lugar tão pesado de história e tão despido de tradicionalismo. No caminho do terraço prestou atenção em detalhes que não havia visto até então, pequenos prazeres como a simetria entre o padrão do carpete nos corredores e as pequenas luminárias no teto ou o eco estranho que era produzido pelo seus passos ao subir as escadas. Já a céu aberto a brisa lhe atingiu, fechou os olhos no caminho dali até o guarda corpo mais a frente, quando os abriu novamente o som da rua abaixo foi abafado pela beleza das luzes a sua volta. Olhou para cima, a Lua reinava soberana, sua luz superava as artificiais e conseguia delinear as curvas das montanhas que sentavam caladas no horizonte. Ficou ali, de cabeça quase vazia por meia hora ou m...

Falling, floating, fucking up.

There's something deeply wrong with him. I've known him for ten years now. We're the same age, but at the time I wasn't really interested in the things people my age talked about and he wasn't either, so it was easy for him to work his way into my life. He would show up only once or twice a week, and he wouldn't stay for long most of the times. We didn't even talk that much, it was just being in the company of one another. He always had something exciting and interesting to tell me, but after ten minutes into his monologue he would stop and just be there. I don't know why but I don't quite like him, I mean... he's interesting. And I like that he's everything I would like to be. But if I had a choice I'd make him go away. As we grew up he started showing up more often, and the conversations grew longer as well, I started interacting more, and talking to him about my life, things that happened during the day. He's a good ...