Hoje eu acordei cedo, um hábito que eu deveria cultivar. O dia está lindo, nuvens acinzentadas e espessas cobrem as cidades, tanto a que vivo quanto a em que trabalho e estudo. Tudo deveria estar perfeito mas não está.

Sabe aquele vazio gigante que aparece de vez em quando e vai crescendo ao passar das horas - diz que sabe, não posso estar sozinho -, e de tão grande que vai ficando toma todo seu corpo, e vai se espalhando ainda mais, e o dia fica vazio de sentido contaminado pelo vazio que emana de dentro de você? Pois é, é esse vazio que caiu no meu colo hoje.

Tenho dias e dias, em alguns eu estou feliz, alegre e produtivo, em outros estou feliz, alegre e ocioso, mas são os dias em que não estou nem feliz, nem alegre, nem nada que mais me assustam. Eu passo a refletir sobre coisas que guardo a sete chaves, passo a questionar minhas decisões, nada está bom e nada estará.

Me considero uma pessoa de copo meio cheio, não gosto de pessimismo porque quando era pessimista não era tão feliz quanto sou agora, sendo o antônimo. Mas tem dia que não tem jeito, tem dia que por mais que eu queira que tudo dê certo, por mais que eu me esforce para acreditar, parece que tudo já deu errado e que eu nem mereça que algo dê certo... Coisa chata isso né?

Aí eu escrevo e o ânimo melhora um pouquinho, ajuda sabe? Mas não é uma coisa que resolve, nada resolve, só fico desejando que a hora voe e que o dia termine. Sabe aquela sopinha que sua mãe faz quando você está doente? Você sabe que ela não vai te curar mas só de tomar aquele amorzinho cozido ali, no meio dos legumes e do macarrão, você se sente melhor? Escrever é tipo isso.

Estava pensando ontem, no chuveiro (melhor lugar não há) sobre felicidade, e cheguei a seguinte conclusão: felicidade pode ser medida. Sim, vem que eu te explico. Pense na felicidade como uma barrinha daquelas de videogame que você precisa encher todo dia, tem dia que você acorda com ela 90% e tudo está lindo, tem dia que a porcentagem é menor, e menor... E aí tem hoje, a barrinha sumiu, não dá pra encher uma coisa que não está lá, procurei ela em todo canto mas não tem jeito.

Eu só queria ser criança de novo, pra ser rei de um mundo distante, de uma horda de monstros-problema e resolver todos eles sozinho, queria agarrar a barrinha e deixar ela juntinho. Engolir ela sabe? Assim não dá pra perder e o vazio some. Mas hoje ele está aqui, está em todo canto, e não há o que fazer, só aceitar e esperar o fim do dia.