Terminou sua avaliação de matemática, era a última do ano, os números poderiam ser imaginários no papel, mas em sua cabeça pareciam bem reais. Cansado da noite mal dormida apoiou a cabeça em um dos braços para não sentir a mesa dura e nada limpa em seu rosto suado pelo calor que fazia naquela manhã.
Tentava manter os olhos abertos, tarefa difícil. O sono, por fim o venceu, e o sonho começou. Foi acordado por um colega que recolhia os testes. Riram ambos da situação e da marca vermelha em forma de relógio em sua testa. Ele esqueceu o sonho, tentava se lembrar mas não conseguia de forma alguma, um desespero crescente lhe dominou, isso sempre acontecia quando não conseguia fazer algo que julgava ser capaz de fazer.
Mais tarde, durante a noite, descobriu o por quê de o sonho ter ido embora tão rapidamente, seu consciente havia tentado encobrir o crime de seu subconsciente. Havia sonhado com ela, coisa que evitava ao máximo, não queria relembrar o sentimento, não queria fazer-lhe vivo novamente, não queria que ela voltasse pois sabia, no fundo, que  tudo o que toca quebra. E não suportava a ideia de vê-la sofrer, não novamente, não por ele.