E num final de semana, uma camisa azul depois, tudo vira do avesso... É difícil dizer não, é difícil negar as possibilidades que a um tempo atrás não existiam e que pensei que talvez nunca chegariam a existir.
É difícil quando o pouco parece muito. Há quem dia que o pouco é sempre melhor que o nada, mas quando o nada era meu, ele me trazia segurança e capacidade de prever o que aconteceria á seguir.
E agora este pouco está nas minhas mãos, sem saber o que fazer eu deixo que cada parte dele escorra por entre meus dedos, são partes viscosas e fortes, me machucam quando saem e deixam pedaços. Quem tinha nada não sabe lidar com pouco. Nada é melhor que pouco, tenho certeza.
E pra piorar, são poucas e poucos. Cada bocado deles tem um coração e eu os magoo. E de pouco em pouco, cada pouco vai se afastando e eu vou ficando sozinho. Pouco é melhor que nada?
Queria para mim todos os poucos, mas poucos são monogâmicos, só nos deixam ter um.
Queria experimentar todos os poucos, mas tenho uma parte que já faz parte de mim, apesar de não parecer.
Queria voltar aos meus cinco anos, quando me perguntavam se eu tinha um pouco e eu dizia que não tinha nada porque era muito novo pra poucar. E agora? Que faço dos poucos que me restam?