Há momentos nas nossas vidas, pelo menos na minha, em que nós passamos a racionalizar coisas que antes não racionalizávamos, e foi num desses momentos que eu dissequei meus pensamentos sobre a morte e percebi que grande parte das pessoas que vivem hoje na Terra são vaidosas e sentem que suas experiências neste planeta são jóias que perdurarão eternamente juntamente com suas almas. Eu fui uma dessas pessoas, já acreditei que tudo que eu vivia era tão maravilhoso, que quando eu morresse nada disso seria tirado de mim, e eu estava provavelmente errado.
Viver acreditando que viverá após a morte não faz sentido e para mim é algo absolutamente desestimulante. Quando passamos a viver tomando a morte como o fim absoluto da nossa existência em qualquer forma, seja ela física ou não, nós passamos a viver como a vida é feita para ser vivida. Nós passamos a viver um dia de cada vez, passamos a tomar novas experiências como maneiras de alcançar objetivos pessoais. Sei que a maioria de vocês toma a imortalidade como algo certo após a morte, como um tipo de prêmio pelo que sofrem em vida, mas tente viver tomando a morte como fim absoluto e verá que é algo bem menos frustrante do que a imortalidade.
Tentam nos vender a ideia de que a nossa vida têm um propósito divino, tentam provar que a vida é uma experiência, e que seus erros e acertos servem para "alimentar o espírito" que eventualmente "viverá outras vidas". Mas tudo indica que essa ideia romântica e ultrapassada é um erro. Não temos como saber além do que sabemos que acontece após a morte, e isto é, a morte é o fim da linha para o corpo, e como nosso cérebro é responsável por guardar tudo o que vivemos, e ele se deteriora junto com o corpo, é óbvio assumirmos que tudo acaba ali.
Viva todas as experiências que quiser em vida, viva com responsabilidade, mas viva, porque nada ou ninguém pode te garantir outra chance.