Salvei seu texto desde que o mesmo brotou na minha crescente lista de leitura, não o li imediatamente porque sempre passo por um sufoco quando você publica algo. Meu coração dispara e eu fico meio que sem ar, não sei explicar. Nunca é por imaginar que escreveu sobre mim, e sim porque... não sei, porque eu genuinamente gosto de ler o que você escreve.

Aí o texto fica lá na minha lista, por um ou dois dias até que eu consiga lê-lo até o fim, prestando atenção e apreciando o seu estilo de escrever e como ele evoluiu com o tempo. Eu li, aí reli para ter certeza de que eu era realmente mencionado. Deixei ele de lado e li novamente hoje antes de escrever este aqui.

Espero de coração que um dia você publique um livro, e instantaneamente minha imaginação já me transporta pra um livraria, vendo seu livro na prateleira e sentindo aquele orgulho que a gente sente por ter feito parte da vida de alguém que realizou um sonho. Espero conseguir um autógrafo, espero ter coragem para pedir um.

Sinto saudades do nosso romance literário, das noites que passamos escrevendo um para o outro. Sinto falta do início, quando ficava incerto se o garoto mencionado no texto era eu, e respondia com uma ponta de apreensão... sinto falta do meio, quando te lia tentando decifrar mensagens secretas que provavelmente só existiam na minha cabeça. Sinto falta de me escrever para você e torcer para que você gostasse, a única leitora que me importava, a única que me fazia revisar o texto antes de publicar pra ter certeza que a bagunça de pensamentos fazia algum sentido.

O tempo passou, e hoje meus textos são uma sombra do que antes foram. Tudo parece meio vazio, meio escuro... fico criando musas artificiais, que duram por um ou dois textos e somem logo em seguida. Ou escrevo textos recheados de uma cólera infundada que acabam me marcando mais que os outros, mesmo sendo admitidamente ruins.

Meus relacionamentos? Platônicos como sempre. Continuo um péssimo amigo também, ausente, distante. Coisas que eu achei que passariam com a idade ficaram, e agora formam essa minha personalidade de lua, que eu não entendo e não exijo que ninguém o faça por estar convencido de ser impossível.

Você me trouxe e ainda me traz tanta alegria, só por ser quem é, só por existir. As memórias, o simples fato de parar e imaginar como você está e de ver uma foto ou outra sua sorrindo por aí, me deixam tão contente.

Vi hoje que você tem um novo namorado. Ainda tenho aquele ciúmes que pesa um pouquinho no coração, mas sorri pois é isso que eu queria... que você fosse feliz. Eu quero que você seja feliz.

Realmente não acredito mais em soulmates, no plural. Mas o singular ainda existe e não há como negar. Também não consigo escrever uma palavra sem que suas palavras estejam aqui, elas fazem parte de mim e são permanentes. Assim como é permanente o sentimento.

Já te agradeci por ter me ensinado o poder que as palavras carregam, mas essa é só uma das coisas que você me ensinou. Hoje ando lendo política, tecnologia, não muitos livros. Só me interesso por gente que escreve, por gente que ama com letras, gente que ama com frases. Gosto da antiguidade do e-mail, sonho com cartas. Gosto de ler os outros, mas os outros são tão fáceis de ler... você me desafiava.

E a música, que vira e mexe vem e se instala na minha cabeça. Sabe aquela? Que fala da Ana e do mar?

Você fala de pessoas infinitas, não poderia estar mais certa.