Geceniz hayr olsun.

Eu já estava dirigindo pelo que parecia ser uma eternidade e meia, me olhava com um olhar de quem diz "eu te disse que era uma ma ideia". Talvez fosse mesmo, sozinhos no meio do nada. O carro estava segurando bem mas poderia nos abandonar a qualquer momento naquele terreno irregular, bundas doíam em decorrência da desistência da suspensão e não tinha água, não tinha comida e o sinal do celular já não dava às caras desde que havíamos saído da via principal.

"Acho que estamos bem perto", foi o que disse quando vi que o caminho precário acabava numa escuridão tremenda... "Acho que aquela escuridão toda é o céu, falei que era por aqui", olhei de relance enquanto desviava de uma cratera no chão escuro e só pude ver um sorriso sendo disfarçado.

Parei o carro ainda entre ás árvores, agora podíamos ver estrelas populando o que antes parecia ser um buraco vazio... desci do carro com certa dificuldade, muitas pedras, muitas folhas, um excesso de natureza que me fez questionar novamente minha ideia maluca.

Olhei através do pára-brisa e gritei enquanto sinalizava para vir e para tomar cuidado com o terreno traiçoeiro... Fui a seu encontro e peguei em sua mão, guiando-nos em direção às estrelas. Veio hesitante, mais por medo da vista ser tão incrível quanto eu havia dito e não poder reclamar das duas horas perdidas naquele cominho infernal do que por medo de cair do precipício.

Fomos atingidos pela brisa úmida e gelada, o cheiro que emanava das ondas algumas dezenas de metros abaixo me recuperou da viagem tortuosa em uma única inspiração. Coloquei minha mão sobre seus ombros enquanto olhávamos admirados, a lua pairava majestosa em nossa frente. 

"É como se pudéssemos tocá-la", disse enquanto se aconchegava em meu peito.

"Realmente", respondi...