Banc perdu / Bench lost
Uma visão de branco, lá estava Lola, sentada num banco desses de praça ela me olhava com ar de represália. Não havia mais ninguém ali, ninguém além de mim, Lola e uma moça aleatória. Digo aleatória porque com certeza Lola a havia encontrado pela primeira vez minutos antes...

Ambas estavam no banco e eu estava diretamente em frente a elas, estava parado e não ousava me aproximar. Lola havia planejado o espetáculo, e eu sabia que a opção mais segura seria assistir, distante o suficiente para não ser atingido quando o sangue jorrasse do coração da moça, prestes a ser arrancado por Lola.

Como disse, ela me olhava fixamente com seus olhos negros transbordando vingança não justificada por nenhuma das minhas atitudes. A moça estava alienada pela presença de Lola e sequer tinha me notado, parecia estar em um transe sexual... uma das especialidades de Lola.

Passaram alguns instantes e eu permaneci imóvel, Lola agarrava a moça com força e a beijava freneticamente, o batom vermelho marcava o rosto de ambas enquanto trocavam carícias cada vez mais intensas. A vítima concentrada em agradar Lola, hipnotizada por sua beleza. Lola preocupada em me forçar uma reação, seja ela qual fosse.

As longas unhas de Lola lhe marcavam a pele, mas a moça não parecia se importar, parecia pedir mais, estava entregue a mulher de branco, que mal conhecia. Lola se frustrou com meu rosto imóvel, seus olhos se reviraram enquanto ela empurrava a moça para longe de si. Levantou, ajeitou o comprimento do vestido branco e veio em direção a mim.

Ainda preso ao seu olhar, continuei imóvel enquanto ela se aproximava, a cada passo seu corpo se movia em câmera lenta em direção ao meu. Achei que fosse me dar um soco... mas ela mudou a rota, desviou o olhar e parou ao meu lado.

Conseguia ouvir sua respiração e a minha, conseguia sentir seu perfume, conseguia sentir o calor que emanava de seu corpo... Ela se manteve imóvel por alguns segundos, olhando para o nada e finalmente disse: 

- Cansei, vamos embora.