Não sou como os outros, mas não sou especial. A coisa é mais profunda do que deveria ser, as palavras que profiro são tão vagas quanto minha mente é ao olhar para nuvens no céu. Eu não sinto.
Vou dar-lhe um tempo para que eu possa absorver a informação. O dia é hoje e o pensamento veio tão vazio quanto a conclusão. Acredito não sentir.
E o exemplo que eu poderia te mostrar e me dar não existe, é um sentimento que vem do âmago e exita em voltar para seu lugar, mas não é sentimento, não sinto. É aquela resposta para a pergunta que a humanidade tanto repete, é a solução para minhas mais intrínsecas incertezas, é o vazio, é o nada, é a absência total de uma justificativa satisfatória.
Eu penso, logo existo, mas se sentisse, qual seria a consequência? Qual seria a cruz a ser carregada, o fardo a ser sustentado pelos meus ombros ossudos e desesperançosos? Se sentir é a melhor coisa que existe é também a pior das punições, o inferno na Terra, a parte horrível da beleza, o lobo em pele de cordeiro.
Sentir não é opção, é um carma, é um problema, imposição. É uma erva daninha e danosa que nasce do nada no jardim da vida humana, atravessa a carne e evita a cicatrização, desenvolve espinhos e alarga-se, cresce, frondosa e suntuosa até que a carne lacere e ossos não mais a segurem. 
Mas como saberia se não sinto?
Sinto.
Mas se sentir fosse escolha.
Não sentiria.