O pão estava quente na mesa, o suco servido no copo e a conversa rolava solta. Falávamos de casamento, eu sabia a opinião dela mas queria externar a minha. Ela ouviu pacientemente enquanto eu dizia que casar cedo era bobagem, que não conhecia ninguém que, mesmo feliz hoje, não teria escolhido casar mais tarde, ou não nem mesmo ter trocado alianças. Disse que as pessoas se tornavam dependentes uma das outras e outras das umas, e conclui com o que para mim é a realidade momentânea: "Pra quê casar?"

Isso me fez lembrar de você, sempre tão decidida, tão madura. Você me transparecia uma feminilidade imensa, uma fragilidade na medida certa e uma personalidade formada que tenho certeza que nunca encontrarei em uma mulher. Sim, porquê para mim você sempre foi mulher, talvez a única que eu aceitaria trocar alianças e viver eternamente, porque você, tão frágil e tão forte, dependeria de mim sem ser dependente.

E a resposta é não. Não se deve mudar por nada, nem por ninguém, a não ser por você mesma.