Apaixonada por palavras, desde a adolescência aprendeu a fazer da leitura sua maior diversão. E Drummond, Clarice, Coelho, Bandeira... cada um lhe trazia uma sensação distinta e ela gostava de todas elas. Cada palavra lhe invadia a mente violentamente, no caminho a fazia contorcer-se, as frases eram fortes e marcantes, dominavam sua mente, seu corpo.
Ela recitava tudo, do sumário ás informações tipográficas, recitava com amor, com calor, de maneira única. Absorvia a sonoridade, gostava de se ouvir, de ser a voz do livro empoeirado.
E sua boca seguia, úmida, por linhas e linhas a fio. Não se preocupava com nada além da sensação, da paixão. Não maquiava sua voz, mas se maquiava, a leitura era um evento, precisava estar deslumbrante, precisava sentir-se forte.
Sentada lia, horas a fio, sem descanso. E pela madrugada, no ápice de seu show literário semanal era tomada por um prazer intenso, do tipo do prazer que só se sente uma vez e que se busca replicar por uma vida. E após o suspiro mais profundo ela sorria como criança travessa, sorria pela conquista, sorria pela sensação, sorria pelo prazer de ler.