Dreams are made to be dreamed.

Ele não acreditava no que estava vendo, a garota mais cética que ele já havia conhecido possuía aquele estranho objeto construído com barbantes coloridos e penas perdidas por algum pássaro. Tocou as penas e admirou o intrincado sistema de fios, presos fortemente para segurar o galho retorcido que dava forma circular ao pendente, colocou o olho entre um círculo vazio bem no centro dos fios, percebeu que ela o olhava com um olhar bobo de dúvida, ela perguntou:
- O que está fazendo? Nunca viu?
- Vi sim - disse ele -, mas nunca tão de perto, nunca tão bonito.
- É um apanhador de sonhos - Ela sorriu acariciando as penas.
- Eu sei o que é, só não sei o porque de estar aqui.
- Dizem que os pesadelos passam pela teia e são jogados para fora, - iniciou ela a explicação- enquanto os sonhos escorregam por ela e descem até as penas em direção a quem dorme.
- É uma história bonita, mas achei que era cética em relação a essas coisas.
Ela parou por um instante, pensava na resposta correta, não queria confundi-lo. Após segundos eternos para o rapaz ela explicou:
- O apanhador de sonhos é como a imagem original de uma santa, por mais cética que eu seja em relação aos poderes sobrenaturais da imagem eu tenho o dever de admirá-la, é uma obra de arte, é um pedaço vivo de história.
Ele a olhava de maneira confusa, mas ela continuou:
- Poucas obras de arte tem uma história tão bonita, tocante e antiga quanto a do apanhador de sonhos. Eu o tenho simplesmente porque adoro contar essa história, não quero que ela se perca.

Na noite seguinte se via na janela do garoto um galho torto, amarrado com barbantes que o prendiam de maneira circular, adornado com penas de um pássaro qualquer... O apanhador de sonhos não funciona, os pesadelos ainda o atingiam, mas a história está lá, pendulando na brisa noturna, esperando para ser recontada.