Era ainda um bebê quando viu a casa grande, sentada no colo da mãe, apontava com os dedinhos gorduchos às janelas, que pareciam tão grandes e imponentes. Sorria e partia.
Era ainda uma criança quando brincava na rua, parava em frente a casa, as janelar já eram menores, mas continuavam a cativar-lhe de maneira única, hipnotizante. Ficava lá uns bons quinze minutos até a mente se esvaziar. Sorria e partia.
Era uma adolescente quando pintaram a casa, estranhou por um tempo, as janelas agora já eram pequenas e delicadas, a cor não fazia justiça a beleza da arquitetura. Pensava em vandalizar uma parede para que o dono mudasse novamente a cor. Achou a ideia boba. Sorriu e partiu.
Era já adulta quando comprou a casa. Pintou-a de branco novamente, destacou a moldura das janelas minúsculas com um tom azulado. Não vivia em casa, vivia no trabalho, mas sentia-se contente por tê-la. Sorria e Partia.
Aposentada cuidava do jardim, os netos brincavam no sótão ou no gramado até que namoradas e namorados preencheram suas vidas e a casa perdeu espectadores, as janelas enormes, os quartos gigantes e vazios. Vendeu para comprar algo menor. Chorou, partiu e nunca mais voltou.