Acredito que muitas pessoas devem se perguntar, após meu categórico e feliz "eu sou ateu" durante uma discussão religiosa. Nunca parei pra pensar que afirmo muito e acabo deixando de mastigar as informações antes de repassá-las, resumindo, esqueço de explicar.
Não paro para pensar em como as pessoas vão receber aquela torrente de argumentos e acabo crendo que elas assimilariam estes da mesma forma que eu, oque nem sempre (quase nunca) é verdade.
Não respeito a religiosidade de ninguém (salvo alguns), e acredito que ninguém deveria respeitar meu ateísmo. O problema aqui é que as pessoas tendem a tentar respeitar minha opinião, mas a ignoram ao apresentar contra-argumentos.
Um exemplo: "Sei que o santo sudário é uma farça, mas como cristão, devo acreditar que é algo vindo de Deus".
São afirmações como essa que me enraivessem e me deixam absolutamente sem reação. Fico impressionado com a capacidade de um religioso em simplesmente contradizer-se alí numa única frase e, quando indagado sobre a própria falha justifica-se (quando o faz) utilizando a sua liberdade de religião "Eu acredito que é assim, se você não entende, não posso fazer nada". E eu realmente não entendo, para mim você não deve acreditar em algo em 'consequência de', e sim, 'com base em'.
Religiosos, generalizando, são pessoas com a cabeça fechada e com a visão restringida, não buscam explicações pois tomam como certo tudo o que é atribuído a seu deus.
Ser ateu, para mim, é o contrário de ser religioso. Mas não é apenas não crer em deus. Ser ateu é se mostrar, é falar o que pensa, é ser ativista, é criar discussões, é negar tudo aquilo que não é fundamentado, é buscar conhecimento, é ter a mente aberta, é decretar-se errado, é mudar de opinião, é fazer os outros pensarem no que são, no que acreditam, é não ter uma visão de mundo pré-definida e é, também, incomodar.
Ouso dizer que meu mundo chega a ser um pouco diferente do seu, vivo num universo onde deus(es) são absurdos e que, por isso, tenho a obrigação de entender o funcionamento de certas coisas que aparentam sobrenaturalidade, vivo num mundo onde ler é tão necessário que me sinto mal ao não fazê-lo, e vivo feliz. Não duvido da felicidade de crentes, seja lá quais são suas definições de felicidade, porém não acho certo que venham encher-me os ouvidos com palavras sem sentido, com histórias inventadas e com provas imaginárias.
Me tragam a evidência que deixo o ateísmo em dois tempos, nego grande parte de minhas ideias e me desculpo publicamente. Até lá, serei ateu, doa a quem doer.