Sabe aquela sociedade onde o dinheiro não existe e nós vivemos a base de trocas como os povos antigos? Foi nela que começamos a precificar as coisas, mesmo sem a existência de moeda. Como? Simplesmente porque os povos antigos, apesar de menos desenvolvidos sabiam que uma cebola vale consistentemente menos que uma vaca, e que uma maçã vermelha e doce não vale nada, pois para saber se é doce você tem que abri-la de alguma forma e comer um pedacinho, o que é violação do "lacre de segurança" natural e ninguém, além de um macaco trocaria nada por ela, talvez alguns macacos mais espertos peçam desconto, sei lá, uma laranja amassada ao invés de uma lisinha.
Aí que entra a minha observação, não na maçã mordida, mas na ideia de precificar as coisas com quantidade. Na maioria das sociedades "perfeitas" que as pessoas descrevem o capitalismo a moeda é riscada da lista de "sim's", mas não seria mais pratico para o macaco comprar a maçã por cinco cocos de bronze ao invés de um de prata? Não seria mais justo do que ele ter que abrir mão de sua laranja de seis cocos de bronze e meio?
Acho que na "sociedade perfeita" nem a troca deveria existir, ou seja o seu macaco chegaria, pegaria a maçã mordida e comeria, mas ele não quer a laranja, então ele simplesmente gritaria em macaquês "Huhuhuhuaaahuaaa" (Quem quer uma laranja amassada?), aí uma macaquinha viria e começaria a flertar com ele, ela pegaria o telecoco dele e marcariam de jantar. Ok desculpa, perdi o foco.
Então, a macaquinha viria penteando o rabo e mordendo os lábios, pegaria a laranja e iria embora com o telecoco do macaco.
O que eu quero dizer é que a única forma de não utilizarmos moeda é se abrirmos nossa casa e compartilharmos tudo o que temos com os outros.
Agora imagina o macaco entrando, sem pedir, na sua casa, sentando no seu sofá, comendo a maçã mordida, assistindo o Jornal Macacal na sua TV e esperando a macaca ligar para ele no seu cocofone? Entendeu porque a sociedade perfeita não existe? Porque somos humanos, e humanos (e macacos, e cachorros...) são territorialistas e possessivos por natureza.