Negar a morte, o fim, o nada, é típico do ser humano que por natureza tende a ser falacioso. Se eu morresse amanhã, eu morreria contente, não significa que morreria realizado, mas morreria de certa forma feliz.
Morrer é fácil, eu acho, é a solução para todos os nossos problemas, não existir é perfeito em diversas situações, mas perder é outra história. Imagine um ser humano cético como eu; para mim a existência da pessoa que amo é a única forma de amá-la , o amor por uma pessoa que deixou de existir vira lembrança,  talvez ainda reste um pouquinho da chama que fica queimando até que um dia você se esquece dela e o vento do tempo a apaga.
Amar alguém ativamente mesmo depois dessa pessoa já ter partido é algo que vai contra minha ideia de morte e acaba com muitas outras das que demorei muito para ter formado. Talvez sobre espaço para o amor platônico, o amor as virtudes, mas acho que este tipo de amor pode ser útil e reconfortante à quem ama, mas não fará diferença para quem já foi.
Já escrevi sobre suicídio, e enxergo mentira na face de quem diz que nunca tenha pensado em cometê-lo, mas o suicídio é uma atitude covarde, não pune o suicida que deixa de existir, mas pune os que o amam. O ato de se importar ou de ter coragem é o que evita que o planeta não se torne um cemitério.
Não penso no que faria se você morresse, mas acho que depois de um tempo você se tornaria uma lembrança, a melhor e mais linda delas. Temo que deixe de escrever, talvez até achar alguém que realmente entenda como você, talvez para sempre.