Ficou atônita olhando para cima. Tinha balões numa mão, uma caixa com um laço de cetim enorme na outra, estava na calçada da Paulista. Olhavam-na de rabo de olho, pensado se seria uma louca, logo desviavam e atravessavam a enorme faixa de asfalto, pois mudando de calçada tudo o que viram logo desaparecia, seja uma criança pedindo um pedaço de pão ou uma louca bem vestida com balões na mão.
Ela não ligava para os olhares, alguns paravam e tentavam seguir seus olhos, entender o que uma moça tão bonita, e provavelmente louca, fazia olhando para o céu. Logo desistiam frustrados, alguns a perguntavam o motivo do olhar constante e ela lhes respondia com uma voz calma e baixa: "Você não vê? É maravilhoso!".
Ficou ali uns bons quinze minutos, tempo que os engravatados não dispunham, tinha uma entrega a fazer no prédio alto logo na esquina, mas a entrega podia esperar, aquilo não se via com frequência.
Um garotinho parou ao seu lado, logo vinham mais quinze do mesmo tamanho e idade. Uma excursão escolar acabara de terminar e eles tentaram encontrar o ponto de visão da moça dos balões.
Logo eram dezessete, uma pessoa e dezesseis pessoinhas, as professoras os apressavam mas as crianças não se mexiam, perplexas, nunca haviam visto aquilo em suas vidas... O céu estava azul, como nos livros, um celeste digno de pinturas.