E numa noite ele se viu grande, se viu maior do que jamais pensou que seria, se viu adulto, se viu triste. Fechou os olhos, os cães lá fora o irritavam violando o, que ele considerava, sagrado silêncio da noite. Suspirou longamente, a cara se fechou numa expressão tão cheia de raiva que iluminou o quarto com uma luz negra, tão negra que o escuro se sentiu ofendido e se foi. Uma hora mais tarde as vozes caninas deram lugar ao maior silêncio que ele jamais ouvira, e ele sorriu, sabendo que não importava o quão grande fosse, nunca superaria o silêncio, pois o silêncio é a única coisa sagrada no mundo, é a única coisa que te surpreende sendo previsível.

[N.A: Os cães cessaram a gritaria quando terminei de escrever esse post =D]