Ela veio até mim, conversou alguns minutinhos como se nada tivesse acontecido, tentei ser simpático e não parecer magoado. Ela me pediu perdão, eu disse que o que ela fez não havia sido legal, ela concordou e disse que eu também tinha parte da culpa, me ofendi, e disse que a parte dela era maior, ela concordou.
Talvez as pessoas se aproveitem da minha falta de capacidade de não perdoar. Não menti quando disse que a perdoava porque ela merecia, ela sofreu muito mais que eu no último ano. Mas talvez que a tenha perdoado com a cabeça e não com o coração. Talvez o meu coração seja incapaz de perdoar.
Nada que ela faça diminuirá aquele sentimento de traição, aquele gosto amargo que alcança o fundo da minha garganta quando penso no assunto.
Mas é isso, as desculpas foram aceitas e não gosto de ficar remoendo o passado, mas nunca seremos o que fomos um dia. Como diria uma pessoa que conheço, confiança é um copo de cristal, quando ele quebra você pode tentar concertá-lo, mas as marcas continuam ali, quem sabe quando envelhecermos eu não mas as perceba.