Eu guardei o telefone dela, por todo esse tempo, resisti ao meu ímpeto inicial de apagá-lo, confesso que na época eu queria escrevê-lo num papel e queimá-lo. Mas não o fiz, apenas mudei o apelido carinhoso precedido de um símbolo que o colocava na primeira posição, para um apelido mais impessoal que o condenava ao meio da minha lista de contatos, e lá ele permaneceu por quase um ano (creio eu, já que não sou bom com datas), esqueci dele, e quando ela voltou eu o encontrei.
No natal resolvi enviá-la uma mensagem, coisa rápida, já que estava me escondendo dos olhos julgadores de minha prima ciumenta. E o fiz de maneira rápida e indolor, jurei não esperar resposta mas quebrei a auto-promessa e não conseguia parar de pensar no que significaria a ausência de um simples "feliz natal", em letras minúsculas e sem enfeites.
Mais tarde descobri que, aparentemente como toda pessoa, ela havia mudado o número. Roubei o número novo que procurei exaustivamente  em que esbarrei sem querer, e o substituí pelo antiquado enganador que vivia no meu celular.
Na véspera de ano novo mandei outra mensagem para , o que aparentava ser, o número certo. E meu coração disparou quando a resposta chegou enquanto eu andava sem rumo por uma rua escura, já em outro ano. No fim, ela dizia que me amava. Eu, como sempre receoso, não respondi. Não sei porque, talvez goste que momentos como esse durem uma pequena eternidade, e acredito que se não responder eles talvez nunca acabem.