Martha não era uma menina comum, aos 23 ela já comandava um departamento inteiro da polícia de Miami. Martha amava Jack, ele era um dos mais importantes detetives em seu departamento. Eles começaram a sair, e lá pelo final do verão passaram a morar juntos. Nada importava par Martha, nada importava para Jack.

Era fim do inverno quando Jack acordou e viu, na tela do computador um post-it, nele Martha o deixava. Sim, Martha o deixou, e ele ficou sabendo por um pedaço de papel amarelo colado por sobre uma tela apagada. Jack não se conformava, pensou em não ir trabalhar, mas corria o risco de ter que justificar sua ausência com a mulher que mais cedo havia se ausentado.

Chegou em cima da hora e atravessou as portas do departamento. Enquanto tentava alcançar seu escritório sem derramar nenhuma lágrima, ele se perguntava onde teria se metido Martha. Continuou seu dia, como se nada tivesse lhe acontecido, a camisa vermelha, o coração partido. Ligou para Martha e deixou-lhe uma mensagem agressiva.

Martha começava, ao mesmo tempo, seu dia no novo emprego, ela havia descoberto um grande esquema de corrupção por parte de seus superiores. Martha largou Jack porque ele é honesto, ela não é. Deixou de denunciar 'os caras' em troca de sua promoção. Não retornou a ligação de Jack.

Jack terminou seu dia e seguiu para a praia. Na manhã seguinte Martha o encontrou, caído na areia Jack dormia, dormia aconchegado num monte de algas, em sua cabeça uma bala, em sua mão um revólver.
Martha não ficou brava, ela também era uma suicida. Suicidara seu sentimento em troca de felicidade. Jack suicidara-se para tirar de si a dor de perder a mulher de sua vida.

Martha amava Jack, que amava Martha, que não ama ninguém.