E eu fingindo ter insônia, brincando de gente grande, sentado tomando café. Me lembro de você me chamando de bobo enquanto te enchia de elogios, suas bochechas avermelhavam e meu sorriso se abria como nunca havia feito antes, eu te amava com aquele amor puro, inocente, irreal. Aquele amor de pegar na mão, de olhar nos olhos. Aquele amor de amigo íntimo.
Paro e me pergunto perguntas sem resposta, lembro dos seus cabelos, da sua língua formando as palavras, da sua fala desenfreada e da minha fala sem nexo. Não houve sexo, só troca, troca de carinho escrito, troca de afeto.
E eu aqui, perdido neste amor que agora dói, neste amor que me abordou recentemente e me disse:
"-Olá, lembra de mim? Eu te fazia feliz!". 
E eu me reprimo porque sei, eu não estava e não estou preparado para ele. Apesar dele estar certo, finjo que  não existe, mais ele volta e carrega consigo as provas, traz as palavras, os poemas, as cartas. E eu digo:
"- Ora, me deixe em paz! Não. Me mostre um pouco mais, me lembre como era ser feliz pois já não me recordo. Me lembre como é estar apaixonado.Não. Vá embora, já sofri o suficiente por uma noite."